Eu como político ambientalista abraço a causa socioambiental e a luta pela redução no consumo de diversos tipos de materiais que agridem o meio ambiente. Por isso uso meio digital para fazer campanha pedir seu apoio.
Reconheço que a consciência ambiental é o fator preponderante para a qualidade de vida da sociedade. Por isso mesmo, reforço minha fé na sustentabilidade ecológica e na minha responsabilidade e compromisso com o meio ambiente.
ECO-FAB - uma nova cultura socioambiental militar
ECO-FAB Um programa criado para sensibilizar todos os militares para as questões socioambientais.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Os três pilares do progresso
Vivemos um momento histórico em que a dialética entre o florescimento e a destruição da vida nunca esteve tão radicalmente evidente. Nós como ecologista, pretendemos contribuir não só para demonstrar as inter-relações entre saúde e meio ambiente, mas também para debater sobe a sustentabilidade, modelo de desenvolvimento e o crescimento econômico. Esses três pilares serão sinônimos de progresso.
Não somos contra o desenvolvimento, desde que sejam com equilíbrio socioambiental.
Não somos contra o desenvolvimento, desde que sejam com equilíbrio socioambiental.
sábado, 3 de julho de 2010
Passivo ecológico
Que aconteceria se os mais de 6 bilhões de habitantes consumissem como a população dos países industrializados? Pesquisadores fizeram um cálculo e transformaram em superfície a comida que comemos, os objetos que compramos, e os resíduos que lançamos. Na verdade, cada quilo de alimento foi produzido em um pedaço de terra e cada objeto da nossa casa precisou de uma fabrica, do transporte e um ponto de venda. Nós consumimos demais e seriam necessários quatro planeta caso todos os habitantes vivessem como os americanos.
Segundo o Relatório Planeta Vivo – WWF, os povos da África e Ásia, por exemplo, usam em torno de 1,4 hectares por pessoa, os brasileiros usam em média 2,3 hectares, enquanto os povos da Europa Ocidental usam cerca de 5 hectares por pessoa. Nos EUA, cada norte-americano consome o equivalente a 9,6 hectares de recursos do Planeta. Com menos de 5% da população mundial, os Estados Unidos consomem 26% do petróleo, 25% do carvão mineral e 27% do gás natural mundial.
Segundo o Relatório Planeta Vivo – WWF, os povos da África e Ásia, por exemplo, usam em torno de 1,4 hectares por pessoa, os brasileiros usam em média 2,3 hectares, enquanto os povos da Europa Ocidental usam cerca de 5 hectares por pessoa. Nos EUA, cada norte-americano consome o equivalente a 9,6 hectares de recursos do Planeta. Com menos de 5% da população mundial, os Estados Unidos consomem 26% do petróleo, 25% do carvão mineral e 27% do gás natural mundial.
terça-feira, 29 de junho de 2010
COV - compostos orgânicos voláteis
São poluentes geralmente presente nas casas e liberados pelos materiais de construção: madeira, tapetes, tintas, vernizes etc., aas vezes durante meses ou anos.
O uso de inseticida, desodorantes, colas, detergentes, diluentes, catalisadores, spray, cigarro e até cozimento de alimento liberam COV dentro de casa.
Os automóveis e as indústrias são fonte de liberação de COV.
Uma das maiores preocupações pelos agentes de saúde é a grande concentração de COV em determinados locais, principalmente dentro de casa, onde provoca irritação cutânea e reação alérgica.
Uma das alternativas para evitar o acumula de compostos orgânicos voláteis é deixar a casa bem arejada e reduzir o uso desses produtos.
O uso de inseticida, desodorantes, colas, detergentes, diluentes, catalisadores, spray, cigarro e até cozimento de alimento liberam COV dentro de casa.
Os automóveis e as indústrias são fonte de liberação de COV.
Uma das maiores preocupações pelos agentes de saúde é a grande concentração de COV em determinados locais, principalmente dentro de casa, onde provoca irritação cutânea e reação alérgica.
Uma das alternativas para evitar o acumula de compostos orgânicos voláteis é deixar a casa bem arejada e reduzir o uso desses produtos.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Reciclar significa = Re(repetir) + Cycle(ciclo).
A reciclagem é um processo industrial que converte o lixo descartado em produtos semelhantes ao inicial ou outro. Reciclar e economizar energia, poupar recursoa naturais e trazer de volta o ciclo produtivo o que é jogado fora.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Uma estratégia auto-destrutiva
Por Sérgio Abranches, do Ecopolítica
Agronegócio brasileiro adota as piores práticas sócio-ambientais. Despreza a tendência do mercado global de adotar práticas de sustentabilidade em toda a cadeia de suprimentos. Um projeto economicamente suicida. O Brasil é o maior importador de agrotóxicos banidos no EUA e na União Européia, por razões sanitárias. Esses produtos, muito tóxicos, são muito nocivos à saúde humana e ao ambiente, especialmente à água.
Esses agrotóxicos são de difícil remoção dos produtos em cuja produção são utilizados. Fazem mal à saúde. Envenenam o lençol freático, a terra e os rios. Eles marcam os produtos agrícolas brasileiros como de má qualidade.
Qual o projeto estratégico do agronegócio brasileiro? Adotar as piores práticas e enfrentar barreiras comerciais crescentes?
Agora mesmo, o Brasil teve que suspender, em comum acordo com as autoridades de Washington, as vendas de carne para o EUA, nosso maior mercado. Qual a razão? O JBS Friboi exportou para o EUA 40 toneladas de carne processada com teores de Ivermectina muito acima do permitido pelos padrões sanitários, informa Raquel Landim, do Estado de São Paulo. A Ivermectina é um vermífugo utilizado na criação de bovinos, mas que pode ser danoso à saúde humana. Esse frigorífico, que é financiado com subsídio pelo BNDES, também não obedeceu ao compromisso de garantir a origem de sua carne, assumido no acordo com os supermercados, intermediado pelo Greenpeace, para eliminar da cadeia de suprimentos a carne de desmatamento. Aliás, o Greenpeace está também na origem da moratória da soja.
Eu estive visitando uma região de produção de soja no cerrado mineiro e os produtores estão desesperados com a baixa disponibilidade de água. A água era abundante e sumiu. Por quê? Porque desmataram tudo, destruíram as matas ciliares, poluíram os mananciais, usaram água de forma abusiva. Agora estão querendo acabar com as áreas protegidas da região, para terem acesso às suas águas.
Um dos argumentos utilizados para o uso de agrotóxicos comprovadamente nocivos, por exemplo, é de que a lei brasileira não proíbe. É verdade que vivemos um apagão regulatório. Nenhuma agência regulatória está funcionando bem no Brasil: Anvisa, Anatel, Aneel, Ibama. Mas isso não justifica o mau comportamento. O argumento é tosco. Adota-se as melhores práticas porque elas são melhores, não porque o governo manda. Responsabilidade empresarial é uma vantagem privada, não uma determinação do estado. É essa mentalidade atrasada do empresário mediano brasileiro, que vive atrelado ao estado e dependente dos subsídios estatais que atrasa a economia brasileira. Ao invés de fazer lobby para poder continuarem errando, deviam buscar acertar para progredir.
Agronegócio brasileiro adota as piores práticas sócio-ambientais. Despreza a tendência do mercado global de adotar práticas de sustentabilidade em toda a cadeia de suprimentos. Um projeto economicamente suicida. O Brasil é o maior importador de agrotóxicos banidos no EUA e na União Européia, por razões sanitárias. Esses produtos, muito tóxicos, são muito nocivos à saúde humana e ao ambiente, especialmente à água.
Esses agrotóxicos são de difícil remoção dos produtos em cuja produção são utilizados. Fazem mal à saúde. Envenenam o lençol freático, a terra e os rios. Eles marcam os produtos agrícolas brasileiros como de má qualidade.
Qual o projeto estratégico do agronegócio brasileiro? Adotar as piores práticas e enfrentar barreiras comerciais crescentes?
Agora mesmo, o Brasil teve que suspender, em comum acordo com as autoridades de Washington, as vendas de carne para o EUA, nosso maior mercado. Qual a razão? O JBS Friboi exportou para o EUA 40 toneladas de carne processada com teores de Ivermectina muito acima do permitido pelos padrões sanitários, informa Raquel Landim, do Estado de São Paulo. A Ivermectina é um vermífugo utilizado na criação de bovinos, mas que pode ser danoso à saúde humana. Esse frigorífico, que é financiado com subsídio pelo BNDES, também não obedeceu ao compromisso de garantir a origem de sua carne, assumido no acordo com os supermercados, intermediado pelo Greenpeace, para eliminar da cadeia de suprimentos a carne de desmatamento. Aliás, o Greenpeace está também na origem da moratória da soja.
Eu estive visitando uma região de produção de soja no cerrado mineiro e os produtores estão desesperados com a baixa disponibilidade de água. A água era abundante e sumiu. Por quê? Porque desmataram tudo, destruíram as matas ciliares, poluíram os mananciais, usaram água de forma abusiva. Agora estão querendo acabar com as áreas protegidas da região, para terem acesso às suas águas.
Um dos argumentos utilizados para o uso de agrotóxicos comprovadamente nocivos, por exemplo, é de que a lei brasileira não proíbe. É verdade que vivemos um apagão regulatório. Nenhuma agência regulatória está funcionando bem no Brasil: Anvisa, Anatel, Aneel, Ibama. Mas isso não justifica o mau comportamento. O argumento é tosco. Adota-se as melhores práticas porque elas são melhores, não porque o governo manda. Responsabilidade empresarial é uma vantagem privada, não uma determinação do estado. É essa mentalidade atrasada do empresário mediano brasileiro, que vive atrelado ao estado e dependente dos subsídios estatais que atrasa a economia brasileira. Ao invés de fazer lobby para poder continuarem errando, deviam buscar acertar para progredir.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Exposição à poluição ambiental diminui fertilidade nos homens
Os fatores ambientais que levam à infertilidade masculina foram um dos assuntos em destaque no primeiro dia do 23º Congresso Internacional de Prática Ortomolecular e Radicais Livres, que começou ontem e vai até amanhã, em São Paulo.
Segundo o urologista Jorge Hallak, autor de uma palestra sobre o tema, como o escroto é externo, os espermatozoides ficam sujeitos a fatores ambientais, como poluição.
Embora o organismo tenha mecanismos para regular as condições de produção dos espermatozoides, situações como a exposição à fumaça de carros e até mesmo o tabagismo geram radicais livres em excesso e aumentam as lesões ao DNA das células.
"Isso está gerando uma piora na qualidade do sêmen e diminuindo a fertilidade masculina", diz Hallak, que é coordenador da unidade de toxicologia e medicina reprodutiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Após cinco anos de estudo sobre o assunto, a equipe de Hallak constatou que o uso de suplementos de antioxidantes somado à mudança de hábitos, incluindo alimentação saudável, emagrecimento e abandono do cigarro, conseguem reverter o quadro.
"Conhecer o mecanismo de infertilidade está permitindo avanços no tratamento desses pacientes", diz Hallak.
No entanto, pesquisas com usuários de crack e de cocaína mostram que os efeitos dessas drogas sobre a qualidade do sêmen são devastadores. "E ainda não se sabe se é possível revertê-los", diz Hallak.
Fonte: Folha de S. Paulo
Segundo o urologista Jorge Hallak, autor de uma palestra sobre o tema, como o escroto é externo, os espermatozoides ficam sujeitos a fatores ambientais, como poluição.
Embora o organismo tenha mecanismos para regular as condições de produção dos espermatozoides, situações como a exposição à fumaça de carros e até mesmo o tabagismo geram radicais livres em excesso e aumentam as lesões ao DNA das células.
"Isso está gerando uma piora na qualidade do sêmen e diminuindo a fertilidade masculina", diz Hallak, que é coordenador da unidade de toxicologia e medicina reprodutiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Após cinco anos de estudo sobre o assunto, a equipe de Hallak constatou que o uso de suplementos de antioxidantes somado à mudança de hábitos, incluindo alimentação saudável, emagrecimento e abandono do cigarro, conseguem reverter o quadro.
"Conhecer o mecanismo de infertilidade está permitindo avanços no tratamento desses pacientes", diz Hallak.
No entanto, pesquisas com usuários de crack e de cocaína mostram que os efeitos dessas drogas sobre a qualidade do sêmen são devastadores. "E ainda não se sabe se é possível revertê-los", diz Hallak.
Fonte: Folha de S. Paulo
sábado, 29 de maio de 2010
Agrotóxico é problema de saúde pública
Seg, 24/Mai/2010 00:00 Agroecologia
Por Igor Felippe Santos Da Página do MST.
O Brasil bateu recorde no consumo de agrotóxicos no ano passado. Mais de um bilhão de litros de venenos foram jogados nas lavouras. O país ocupa o primeiro lugar na lista de países consumidores desses produtos químicos.
Com a aplicação exagerada nas lavouras no Brasil, o uso de agrotóxicos está deixando de ser uma questão relacionada especificamente à produção agrícola e se transforma em um problema de saúde pública.
“Os impactos negativos são no trabalhador, que aplica diretamente, na sua família, que mora dentro das plantações de soja, na periferia da cidade, porque a pulverização é quase em cima das casas. Tem também o impacto no ambiente, com a contaminação por agrotóxicos das águas”, afirma o médico e professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Wanderlei Antonio Pignati, em entrevista exclusiva à Página do MST.
O pesquisador da Fiocruz, doutor em saúde e ambiente fez estudos sobre os impactos dos agrotóxicos no Mato Grosso, que demonstram que nas regiões com maior utilização de agrotóxicos é maior a incidência de problemas de saúde agudos e crônicos.
Por exemplo, intoxicações agudas e crônicas, má formação fetal de mulheres gestantes, neoplasia, distúrbios endócrinos, neurológicos, cardíacos, pulmonares e respiratórias, além de doenças subcrônicas, de tipo neurológico e psiquiátricos, como depressão.
Abaixo, leia a entrevista com o professor Wanderlei Antonio Pignati.
Em 2009, o Brasil utilizou mais de 1 bilhão de litros de agrotóxicos. Por que a cada safra cresce a quantidade de venenos jogados nas lavouras?
O consumo de agrotóxicos dobrou nos últimos 10 anos. Passamos a ser o maior consumidor mundial de agrotóxicos. No Mato Grosso, 105 milhões de litros de agrotóxicos foram usados na safra agrícola passada, com uma média de 10 litros por hectare de soja ou milho e 20 litros por hectare de algodão. Tem vários municípios que usaram até 7 milhões de litros em uma safra. Isso traz um impacto muito grande para a saúde e para o ambiente. A utilização tem aumentado porque a semente está dominada por seis ou sete indústrias no mundo todo, inclusive no Brasil. Essas sementes são selecionadas para que se utilize agrotóxicos e fertilizantes químicos. Isso para aumentar a produtividade e os lucros dessas empresas do agronegócio. Paralelamente, vem aumentando também o desmatamento, com a plantação de novas áreas, aumentando a demanda por agrotóxicos e fertilizantes químicos. No Mato Grosso, passou de 4 milhões para 10 milhões de hectares plantados na última safra. O desmatamento é a primeira etapa do agronegócio. Depois entra a indústria da madeira, a pecuária, a agricultura, o transporte e o armazenamento. Por fim, a verdadeira agroindústria, com a produção de óleos, de farelo e a usina de açúcar, álcool, curtumes, beneficiamento de algodão e os agrocombustíveis, que fazem parte do agronegócio. Isso vem se desenvolvendo muito, pela nossa dependência da exportação. Isso tudo fez com que aumentasse o consumo de agrotóxicos no Brasil.
Quanto mais avança o agronegócio, maior o consumo de agrotóxicos?
Sim. As sementes das grandes indústrias são dependentes de agrotóxicos e fertilizantes químicos. As indústrias não fazem sementes livres desses produtos. Não criam sementes resistentes a várias pragas, sem a necessidade de agrotóxicos. Não fazem isso, porque são produtores de sementes e agrotóxicos. Criam sementes dependentes de agrotóxicos. Com os transgênicos, a situação piora mais ainda. No caso da soja, a produção é resistente a um herbicida, o glifosato, conhecido como roundup, patenteado pela Monsanto. Aí o uso é duas ou três vezes maior de roundup na soja. Isso também aumenta o consumo de agrotóxicos.
Mas a CTNBio liberou diversas variedades de transgênicos, com o argumento de que se diminuiria a necessidade de agrotóxicos...
É só pegar o exemplo da soja transgênica, que não é resistente a praga nenhuma, para perceber como é mentira. Temos que desmascarar a nível nacional e internacional. A soja transgênica não é resistente a pragas, mas a um herbicida, o glifosato. Então, é ainda maior a utilização de agrotóxicos. Eles usam antes de plantar, depois usam de novo no primeiro, no segundo e no terceiro mês. Dessa forma, aumenta em três vezes o uso do herbicida na soja transgênica. Agora vem o milho transgênico, que também é resistente ao glifosato. Com isso, vai aumentar ainda mais o consumo de agrotóxicos. Em geral, os transgênicos resistentes a pragas ainda são minoria.
Quais os efeitos dos agrotóxicos para a saúde e para o ambiente?
Os impactos negativos são no trabalhador, que aplica diretamente, na sua família, que mora dentro das plantações de soja, na periferia da cidade, porque a pulverização é quase em cima das casas. Tem também o impacto no ambiente, com a contaminação por agrotóxicos das águas. Ficam resíduos dos agrotóxicos nos poços artesianos de água potável, nos córregos, nos rios, na água de chuva e no ar. Isso faz com que a população absorva esses agrotóxicos.
Quais as consequências?
São agravos na saúde agudos e crônicos. Intoxicações agudas e crônicas, má formação fetal de mulheres gestantes, neoplasia (que causa câncer), distúrbios endócrinos (na tiroide, suprarrenal e alguns mimetizam diabetes), distúrbios neurológicos, distúrbios respiratórias (vários são irritantes pulmonares). Nos lagos e lagoas, acontece a extinção de várias espécies de animais, como peixes, anfíbios e répteis, por conta das modificações do ambiente por essas substâncias químicas. Os agrotóxicos são levados pela chuva para os córregos e rios. Os sedimento ficam no fundo e servem de alimentos para peixes, répteis, anfíbios, causando impactos em toda a biota em cima da terra.
Como vocês comprovaram esses casos?
Para fazer a comprovação desses casos, é preciso comparar dados epidemiológicos de doenças de regiões que usam muito agrotóxico com outras que usam pouco. Por exemplo, nas três regiões do Mato Grosso onde mais se produz soja, milho e algodão há uma incidência três vezes maior de intoxicação aguda por agrotóxicos, comparando com outras 12 regiões que produzem menos e usam menos agrotóxicos. Analisando por regiões o sistema de notificação de intoxicação aguda da secretaria municipal, estadual e do Ministério da Saúde, percebemos que onde a produção é maior, há mais casos de intoxicação aguda, como diarréia, vômitos, desmaios, mortes, distúrbios cardíacos e pulmonares, além de doenças subcrônicas que aparecem um mês ou dois meses depois da exposição, de tipo neurológico e psiquiátricos, como depressão. Há agrotóxicos que causam irritação ocular e auditiva. Outros dão lesão neurológica, com hemiplegia, neurite da coluna neurológica cervical. Além disso, essas regiões que produzem mais soja, milho e algodão apresentam incidência duas vezes maior de câncer em crianças e adultos e malformação em recém nascidos do que nas outras regiões que produzem menos e usam menos agrotóxicos. Isso porque estão usando vários agrotóxicos que são cancerígenos e teratogênicos.
Qual o perigo para os consumidores de alimentos? Quais as iniciativas da Anvisa para protegê-los?
A Anvisa está fazendo a revisão de 16 agrotóxicos, desde que lançou um edital em 2008. Quatorze deles são proibidos na União Europeia, nos Estados Unidos e Canadá por serem cancerígenos, teratogênicos, causam distúrbios neurológicos e endócrinos. Nessa revisão, já tem um resumo desses agrotóxicos, que são proibidos lá fora. Mas aqui são vendidos livremente, mesmo se sabendo desses efeitos crônicos. A Anvisa tem o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em alimentos, no qual faz a análise de 20 alimentos desde 2002. Nesses estudos, acharam resíduos nos alimentos, tanto de agrotóxicos não proibidos como acima do limite máximo permito. O endosulfan, por exemplo, é um inseticida clorado, que é cancerígeno e teratogênico, proibido há 20 anos na União Europeia, nos EUA e no Canadá. Não é proibido no Brasil, sendo muito usado na soja e milho. Esse limite máximo de resíduos é questionável, porque a sensibilidade é individual. Para uma pessoa, o limite máximo para desenvolver uma doença é 10 mg por dia e para outra basta 1 mg. Sem contar a contaminação na água, no ar, na chuva, porque devemos juntar todos esses fatores.
Como você avalia a legislação brasileira para os agrotóxicos e o trabalho da Anvisa?
A Anvisa vem fazendo um bom trabalho, com base na legislação. No entanto, todo dia os grandes burlam a lei. Não só a lei nacional sobre agrotóxicos, mas também o Código Florestal, as Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego (que obrigada a dar os equipamentos aos trabalhadores), as normas do Ministério da Agricultura (que impede a pulverização a menos de 250 metros da nascente de rios, córregos, lagoas e onde moram animais ou habitam pessoas). No Mato Grosso, passam todos os tipos de agrotóxicos de avião, não respeitando as normas.
Os fazendeiros dizem que, se usar corretamente os agrotóxicos, não há perigo.
Tem problema sim. Se o trabalhador ficar como um astronauta, usando todos os equipamentos de proteção individual necessário, pode não prejudicar a sua própria saúde, mas e o ambiente? Todo agrotóxicos é toxico, tanto da classe um como da classe quatro. Aonde vai o resíduo desse agrotóxico? Vai para a chuva, para os rios, para os córregos, para o ar e evapora e desce com a chuva. Não existe uso seguro e correto dos agrotóxicos para o ambiente. Temos que discutir que o uso de agrotóxicos é intencional. As ditas pragas da lavoura – que eu não chamo de pragas – seja um inseto, uma erva daninha ou um fungo, crescem no meio da plantação. Aí o fazendeiro polui o ambiente intencionalmente para tentar atingir essas pragas. Não tem como ele retirar especificamente as pragas, colocar em uma redoma e aplicar o agrotóxico. Ou seja, ele polui de maneira intencional o ambiente da plantação, o ambiente geral, o trabalhador e a produção. Uma parte dessa agrotóxicos fica nos alimentos.
As indústrias do agronegócio argumentam que é necessário o uso de grandes quantidades de agrotóxicos porque o Brasil é um país tropical, com grande diversidade climática. É verdade?
Não tem uma necessidade maior. Não é que o Brasil precise de mais por conta dessa questão climática. Nas monografias dos agrotóxicos, tem uma temperatura ideal para passar, em torno de 20º e 25º. Onde tem essa temperatura no Mato Grosso, por exemplo? Dá mais de 30 graus. Com isso, essas substâncias evaporam e usam ainda mais. Em vez de usar dois litros, colocam 2,5 litros por hectare. É um argumento falso. Tem que colocar agrotóxico porque a semente é dependente. Existem formas de fazer uma produção em grande escala sem a semente dependente de agrotóxicos e fertilizantes químicos. Há vários exemplos no mundo e no Brasil. Mas 99% de toda a nossa produção agrícola depende das sementes da indústrias, que não faz a seleção para não precisar de químicos.
Dentro dessa quadro, qual é a tendência?
A tendência é aumentar a utilização de agrotóxicos. Por isso, é preciso uma política mais contundente do governo, dos movimentos de agroecologia e dos consumidores, que cada vez mais consomem agrotóxicos. É preciso discutir o modelo de produção agrícola que está ai. Com o milho transgênico, vai se utilizar mais glifosato. Há um clico de aumento dos agrotóxicos que não vai ter fim. Se analisar a resistência das pragas, há ervas daninhas resistentes ao glifosato. No primeiro momento, se aumenta a dose para vencer a praga. Em vez de cinco litros por hectare, usam sete litros. Num segundo momento se usa um herbicida ainda mais forte ou mais tóxico para combater a erva daninha resistente ao agrotóxico mais fraco. Isso não tem fim. Há grandes áreas de ervas daninhas resistentes nos Estados Unidos, na Argentina e está chegando no Brasil, no Rio Grande do Sul, no Paraná e no Mato Grosso. É um modelo insustentável.
Por Igor Felippe Santos Da Página do MST.
O Brasil bateu recorde no consumo de agrotóxicos no ano passado. Mais de um bilhão de litros de venenos foram jogados nas lavouras. O país ocupa o primeiro lugar na lista de países consumidores desses produtos químicos.
Com a aplicação exagerada nas lavouras no Brasil, o uso de agrotóxicos está deixando de ser uma questão relacionada especificamente à produção agrícola e se transforma em um problema de saúde pública.
“Os impactos negativos são no trabalhador, que aplica diretamente, na sua família, que mora dentro das plantações de soja, na periferia da cidade, porque a pulverização é quase em cima das casas. Tem também o impacto no ambiente, com a contaminação por agrotóxicos das águas”, afirma o médico e professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Wanderlei Antonio Pignati, em entrevista exclusiva à Página do MST.
O pesquisador da Fiocruz, doutor em saúde e ambiente fez estudos sobre os impactos dos agrotóxicos no Mato Grosso, que demonstram que nas regiões com maior utilização de agrotóxicos é maior a incidência de problemas de saúde agudos e crônicos.
Por exemplo, intoxicações agudas e crônicas, má formação fetal de mulheres gestantes, neoplasia, distúrbios endócrinos, neurológicos, cardíacos, pulmonares e respiratórias, além de doenças subcrônicas, de tipo neurológico e psiquiátricos, como depressão.
Abaixo, leia a entrevista com o professor Wanderlei Antonio Pignati.
Em 2009, o Brasil utilizou mais de 1 bilhão de litros de agrotóxicos. Por que a cada safra cresce a quantidade de venenos jogados nas lavouras?
O consumo de agrotóxicos dobrou nos últimos 10 anos. Passamos a ser o maior consumidor mundial de agrotóxicos. No Mato Grosso, 105 milhões de litros de agrotóxicos foram usados na safra agrícola passada, com uma média de 10 litros por hectare de soja ou milho e 20 litros por hectare de algodão. Tem vários municípios que usaram até 7 milhões de litros em uma safra. Isso traz um impacto muito grande para a saúde e para o ambiente. A utilização tem aumentado porque a semente está dominada por seis ou sete indústrias no mundo todo, inclusive no Brasil. Essas sementes são selecionadas para que se utilize agrotóxicos e fertilizantes químicos. Isso para aumentar a produtividade e os lucros dessas empresas do agronegócio. Paralelamente, vem aumentando também o desmatamento, com a plantação de novas áreas, aumentando a demanda por agrotóxicos e fertilizantes químicos. No Mato Grosso, passou de 4 milhões para 10 milhões de hectares plantados na última safra. O desmatamento é a primeira etapa do agronegócio. Depois entra a indústria da madeira, a pecuária, a agricultura, o transporte e o armazenamento. Por fim, a verdadeira agroindústria, com a produção de óleos, de farelo e a usina de açúcar, álcool, curtumes, beneficiamento de algodão e os agrocombustíveis, que fazem parte do agronegócio. Isso vem se desenvolvendo muito, pela nossa dependência da exportação. Isso tudo fez com que aumentasse o consumo de agrotóxicos no Brasil.
Quanto mais avança o agronegócio, maior o consumo de agrotóxicos?
Sim. As sementes das grandes indústrias são dependentes de agrotóxicos e fertilizantes químicos. As indústrias não fazem sementes livres desses produtos. Não criam sementes resistentes a várias pragas, sem a necessidade de agrotóxicos. Não fazem isso, porque são produtores de sementes e agrotóxicos. Criam sementes dependentes de agrotóxicos. Com os transgênicos, a situação piora mais ainda. No caso da soja, a produção é resistente a um herbicida, o glifosato, conhecido como roundup, patenteado pela Monsanto. Aí o uso é duas ou três vezes maior de roundup na soja. Isso também aumenta o consumo de agrotóxicos.
Mas a CTNBio liberou diversas variedades de transgênicos, com o argumento de que se diminuiria a necessidade de agrotóxicos...
É só pegar o exemplo da soja transgênica, que não é resistente a praga nenhuma, para perceber como é mentira. Temos que desmascarar a nível nacional e internacional. A soja transgênica não é resistente a pragas, mas a um herbicida, o glifosato. Então, é ainda maior a utilização de agrotóxicos. Eles usam antes de plantar, depois usam de novo no primeiro, no segundo e no terceiro mês. Dessa forma, aumenta em três vezes o uso do herbicida na soja transgênica. Agora vem o milho transgênico, que também é resistente ao glifosato. Com isso, vai aumentar ainda mais o consumo de agrotóxicos. Em geral, os transgênicos resistentes a pragas ainda são minoria.
Quais os efeitos dos agrotóxicos para a saúde e para o ambiente?
Os impactos negativos são no trabalhador, que aplica diretamente, na sua família, que mora dentro das plantações de soja, na periferia da cidade, porque a pulverização é quase em cima das casas. Tem também o impacto no ambiente, com a contaminação por agrotóxicos das águas. Ficam resíduos dos agrotóxicos nos poços artesianos de água potável, nos córregos, nos rios, na água de chuva e no ar. Isso faz com que a população absorva esses agrotóxicos.
Quais as consequências?
São agravos na saúde agudos e crônicos. Intoxicações agudas e crônicas, má formação fetal de mulheres gestantes, neoplasia (que causa câncer), distúrbios endócrinos (na tiroide, suprarrenal e alguns mimetizam diabetes), distúrbios neurológicos, distúrbios respiratórias (vários são irritantes pulmonares). Nos lagos e lagoas, acontece a extinção de várias espécies de animais, como peixes, anfíbios e répteis, por conta das modificações do ambiente por essas substâncias químicas. Os agrotóxicos são levados pela chuva para os córregos e rios. Os sedimento ficam no fundo e servem de alimentos para peixes, répteis, anfíbios, causando impactos em toda a biota em cima da terra.
Como vocês comprovaram esses casos?
Para fazer a comprovação desses casos, é preciso comparar dados epidemiológicos de doenças de regiões que usam muito agrotóxico com outras que usam pouco. Por exemplo, nas três regiões do Mato Grosso onde mais se produz soja, milho e algodão há uma incidência três vezes maior de intoxicação aguda por agrotóxicos, comparando com outras 12 regiões que produzem menos e usam menos agrotóxicos. Analisando por regiões o sistema de notificação de intoxicação aguda da secretaria municipal, estadual e do Ministério da Saúde, percebemos que onde a produção é maior, há mais casos de intoxicação aguda, como diarréia, vômitos, desmaios, mortes, distúrbios cardíacos e pulmonares, além de doenças subcrônicas que aparecem um mês ou dois meses depois da exposição, de tipo neurológico e psiquiátricos, como depressão. Há agrotóxicos que causam irritação ocular e auditiva. Outros dão lesão neurológica, com hemiplegia, neurite da coluna neurológica cervical. Além disso, essas regiões que produzem mais soja, milho e algodão apresentam incidência duas vezes maior de câncer em crianças e adultos e malformação em recém nascidos do que nas outras regiões que produzem menos e usam menos agrotóxicos. Isso porque estão usando vários agrotóxicos que são cancerígenos e teratogênicos.
Qual o perigo para os consumidores de alimentos? Quais as iniciativas da Anvisa para protegê-los?
A Anvisa está fazendo a revisão de 16 agrotóxicos, desde que lançou um edital em 2008. Quatorze deles são proibidos na União Europeia, nos Estados Unidos e Canadá por serem cancerígenos, teratogênicos, causam distúrbios neurológicos e endócrinos. Nessa revisão, já tem um resumo desses agrotóxicos, que são proibidos lá fora. Mas aqui são vendidos livremente, mesmo se sabendo desses efeitos crônicos. A Anvisa tem o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em alimentos, no qual faz a análise de 20 alimentos desde 2002. Nesses estudos, acharam resíduos nos alimentos, tanto de agrotóxicos não proibidos como acima do limite máximo permito. O endosulfan, por exemplo, é um inseticida clorado, que é cancerígeno e teratogênico, proibido há 20 anos na União Europeia, nos EUA e no Canadá. Não é proibido no Brasil, sendo muito usado na soja e milho. Esse limite máximo de resíduos é questionável, porque a sensibilidade é individual. Para uma pessoa, o limite máximo para desenvolver uma doença é 10 mg por dia e para outra basta 1 mg. Sem contar a contaminação na água, no ar, na chuva, porque devemos juntar todos esses fatores.
Como você avalia a legislação brasileira para os agrotóxicos e o trabalho da Anvisa?
A Anvisa vem fazendo um bom trabalho, com base na legislação. No entanto, todo dia os grandes burlam a lei. Não só a lei nacional sobre agrotóxicos, mas também o Código Florestal, as Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego (que obrigada a dar os equipamentos aos trabalhadores), as normas do Ministério da Agricultura (que impede a pulverização a menos de 250 metros da nascente de rios, córregos, lagoas e onde moram animais ou habitam pessoas). No Mato Grosso, passam todos os tipos de agrotóxicos de avião, não respeitando as normas.
Os fazendeiros dizem que, se usar corretamente os agrotóxicos, não há perigo.
Tem problema sim. Se o trabalhador ficar como um astronauta, usando todos os equipamentos de proteção individual necessário, pode não prejudicar a sua própria saúde, mas e o ambiente? Todo agrotóxicos é toxico, tanto da classe um como da classe quatro. Aonde vai o resíduo desse agrotóxico? Vai para a chuva, para os rios, para os córregos, para o ar e evapora e desce com a chuva. Não existe uso seguro e correto dos agrotóxicos para o ambiente. Temos que discutir que o uso de agrotóxicos é intencional. As ditas pragas da lavoura – que eu não chamo de pragas – seja um inseto, uma erva daninha ou um fungo, crescem no meio da plantação. Aí o fazendeiro polui o ambiente intencionalmente para tentar atingir essas pragas. Não tem como ele retirar especificamente as pragas, colocar em uma redoma e aplicar o agrotóxico. Ou seja, ele polui de maneira intencional o ambiente da plantação, o ambiente geral, o trabalhador e a produção. Uma parte dessa agrotóxicos fica nos alimentos.
As indústrias do agronegócio argumentam que é necessário o uso de grandes quantidades de agrotóxicos porque o Brasil é um país tropical, com grande diversidade climática. É verdade?
Não tem uma necessidade maior. Não é que o Brasil precise de mais por conta dessa questão climática. Nas monografias dos agrotóxicos, tem uma temperatura ideal para passar, em torno de 20º e 25º. Onde tem essa temperatura no Mato Grosso, por exemplo? Dá mais de 30 graus. Com isso, essas substâncias evaporam e usam ainda mais. Em vez de usar dois litros, colocam 2,5 litros por hectare. É um argumento falso. Tem que colocar agrotóxico porque a semente é dependente. Existem formas de fazer uma produção em grande escala sem a semente dependente de agrotóxicos e fertilizantes químicos. Há vários exemplos no mundo e no Brasil. Mas 99% de toda a nossa produção agrícola depende das sementes da indústrias, que não faz a seleção para não precisar de químicos.
Dentro dessa quadro, qual é a tendência?
A tendência é aumentar a utilização de agrotóxicos. Por isso, é preciso uma política mais contundente do governo, dos movimentos de agroecologia e dos consumidores, que cada vez mais consomem agrotóxicos. É preciso discutir o modelo de produção agrícola que está ai. Com o milho transgênico, vai se utilizar mais glifosato. Há um clico de aumento dos agrotóxicos que não vai ter fim. Se analisar a resistência das pragas, há ervas daninhas resistentes ao glifosato. No primeiro momento, se aumenta a dose para vencer a praga. Em vez de cinco litros por hectare, usam sete litros. Num segundo momento se usa um herbicida ainda mais forte ou mais tóxico para combater a erva daninha resistente ao agrotóxico mais fraco. Isso não tem fim. Há grandes áreas de ervas daninhas resistentes nos Estados Unidos, na Argentina e está chegando no Brasil, no Rio Grande do Sul, no Paraná e no Mato Grosso. É um modelo insustentável.
O que queremos para nossa agricultura
boas transformações do mundo nas últimas décadas fizeram com que o centro de acumulação do capital fosse para a esfera financeira e para as corporações transnacionais. Isso trouxe graves consequências e promoveu um enfrentamento crescente entre dois modelos de produção na agricultura.
O modelo dos capitalistas é uma aliança entre grandes proprietários de terras, empresas transnacionais e sistema financeiro. As empresas fornecem insumos, compram os produtos, controlam o mercado e fixam preços dos produtos agrícolas.
Os grandes proprietários (cerca de apenas 40 mil, que possuem mais de mil hectares) entram com a terra, destruindo a biodiversidade e superexplorando os trabalhadores, para repartir a taxa de lucro da agricultura das empresas.
Esse modelo foi autodenominado de agronegócio. Adota a monocultura, para ampliar a escala de produção, com o uso intensivo de venenos e maquinaria pesada.
Essa matriz tecnológica provoca um desequilíbrio climático e ambiental para obter lucros e fazer negócios a quaisquer custos.
O próprio sindicato das empresas de defensivos agrícolas anunciou exultante que, na safra passada, utilizou 1 bilhão de litros de agrotóxicos (cinco litros por habitante). Somos o maior consumidor mundial de venenos.
Isso degrada o solo, afeta o lençol freático, contamina até as chuvas, além dos alimentos.
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o Instituto Nacional do Câncer têm alertado que o aumento de câncer está ligado ao crescente uso de agrotóxicos.
Os ricos e a classe média alta compram produtos orgânicos, mais caros. No entanto, o povo está à mercê dos produtos contaminados.
O agronegócio ainda aumenta a concentração da terra e da produção, pela necessidade de ganhar escala no plantio. O Censo de 2006 aponta que a concentração da terra é maior do que na década de 1920.
Estamos fazendo o caminho inverso ao da reforma agrária. Cerca de 80% das nossas melhores terras são usadas para produzir para exportação três produtos: soja, milho e cana. Além disso, o agronegócio é cada vez mais dependente do financiamento público.
Para produzir um valor anual de R$ 120 bilhões, esse modelo retira crédito nos bancos públicos (da poupança recolhida nos depósitos à vista), ao redor de R$ 90 bilhões.
Ou seja, é a população brasileira que financia o agronegócio, ao contrário da propaganda mentirosa que só exalta seus "benefícios".
Os movimentos sociais, junto com ambientalistas, igrejas e cientistas, temos alertado sobre esses problemas. Propomos outro modelo de agricultura, que priorize a produção diversificada, máquinas agrícolas adequadas a pequenas unidades, agroindústrias cooperativadas e técnicas agroecológicas.
Em vez de priorizar o lucro de grandes empresas e fazendeiros, temos que respeitar o equilíbrio do ambiente, produzir alimentos sadios, fortalecer o mercado interno, aproximando produtores e consumidores. Nossa proposta de reforma agrária popular é a adoção desse modelo, e não apenas distribuir lotes para os sem-terra.
O que está em jogo é a organização da agricultura brasileira.
O povo não tem dinheiro para financiar candidatos, mas o agronegócio anunciou a aplicação de R$ 800 milhões para eleger candidatos. Mas temos o voto e poder de mobilização. É preciso, nesse período eleitoral, cobrar dos candidatos posições claras. Os nossos recursos naturais devem ser utilizados em benefício do povo brasileiro.
A sociedade brasileira, cedo ou tarde, deverá decidir se o país continuará produzindo alimentos com venenos, porque dão lucros, ou se dará prioridade a alimentos saudáveis e à preservação ambiental.
Sáb, 29/Mai/2010 00:00 Artigos e Opiniões
Por João Pedro Stedile/ Na Folha de S. Paulo
O modelo dos capitalistas é uma aliança entre grandes proprietários de terras, empresas transnacionais e sistema financeiro. As empresas fornecem insumos, compram os produtos, controlam o mercado e fixam preços dos produtos agrícolas.
Os grandes proprietários (cerca de apenas 40 mil, que possuem mais de mil hectares) entram com a terra, destruindo a biodiversidade e superexplorando os trabalhadores, para repartir a taxa de lucro da agricultura das empresas.
Esse modelo foi autodenominado de agronegócio. Adota a monocultura, para ampliar a escala de produção, com o uso intensivo de venenos e maquinaria pesada.
Essa matriz tecnológica provoca um desequilíbrio climático e ambiental para obter lucros e fazer negócios a quaisquer custos.
O próprio sindicato das empresas de defensivos agrícolas anunciou exultante que, na safra passada, utilizou 1 bilhão de litros de agrotóxicos (cinco litros por habitante). Somos o maior consumidor mundial de venenos.
Isso degrada o solo, afeta o lençol freático, contamina até as chuvas, além dos alimentos.
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o Instituto Nacional do Câncer têm alertado que o aumento de câncer está ligado ao crescente uso de agrotóxicos.
Os ricos e a classe média alta compram produtos orgânicos, mais caros. No entanto, o povo está à mercê dos produtos contaminados.
O agronegócio ainda aumenta a concentração da terra e da produção, pela necessidade de ganhar escala no plantio. O Censo de 2006 aponta que a concentração da terra é maior do que na década de 1920.
Estamos fazendo o caminho inverso ao da reforma agrária. Cerca de 80% das nossas melhores terras são usadas para produzir para exportação três produtos: soja, milho e cana. Além disso, o agronegócio é cada vez mais dependente do financiamento público.
Para produzir um valor anual de R$ 120 bilhões, esse modelo retira crédito nos bancos públicos (da poupança recolhida nos depósitos à vista), ao redor de R$ 90 bilhões.
Ou seja, é a população brasileira que financia o agronegócio, ao contrário da propaganda mentirosa que só exalta seus "benefícios".
Os movimentos sociais, junto com ambientalistas, igrejas e cientistas, temos alertado sobre esses problemas. Propomos outro modelo de agricultura, que priorize a produção diversificada, máquinas agrícolas adequadas a pequenas unidades, agroindústrias cooperativadas e técnicas agroecológicas.
Em vez de priorizar o lucro de grandes empresas e fazendeiros, temos que respeitar o equilíbrio do ambiente, produzir alimentos sadios, fortalecer o mercado interno, aproximando produtores e consumidores. Nossa proposta de reforma agrária popular é a adoção desse modelo, e não apenas distribuir lotes para os sem-terra.
O que está em jogo é a organização da agricultura brasileira.
O povo não tem dinheiro para financiar candidatos, mas o agronegócio anunciou a aplicação de R$ 800 milhões para eleger candidatos. Mas temos o voto e poder de mobilização. É preciso, nesse período eleitoral, cobrar dos candidatos posições claras. Os nossos recursos naturais devem ser utilizados em benefício do povo brasileiro.
A sociedade brasileira, cedo ou tarde, deverá decidir se o país continuará produzindo alimentos com venenos, porque dão lucros, ou se dará prioridade a alimentos saudáveis e à preservação ambiental.
Sáb, 29/Mai/2010 00:00 Artigos e Opiniões
Por João Pedro Stedile/ Na Folha de S. Paulo
terça-feira, 25 de maio de 2010
domingo, 9 de maio de 2010
Riscos à saúde e ao meio ambiente?
Qui, 15/Abr/2010 03:54 Reportagens
Largamente difundidos nas prateleiras dos supermercados, não se sabe ainda quais os malefícios dos alimentos geneticamente modificados
Por redação do Jornal O Girasol
Primeiro foi a soja e o algodão. Depois o milho, e agora é possível que a alimentação básica do brasileiro, o arroz e futuramente o feijão, também sejam modificados por laboratórios, transformando-se em alimentos transgênicos.
Os transgênicos são Organismos Geneticamente Modificados (OGM). Seres vivos criados em laboratório a partir de cruzamentos que jamais aconteceriam na natureza. Explico melhor: usando uma técnica que permite cortar genes de uma determinada espécie e colocá-la em outra, os cientistas criam organismos novos através da união de uma planta com uma bactéria; animal com inseto; bactéria com vírus, etc. Resumindo, sem testes que comprovam se esses alimentos são ou não prejudiciais à saúde humana, verdadeiros “monstros” estão sendo introduzidas diariamente à nossa dieta alimentar (ver Risco para Saúde).
“Como qualquer coisa inovadora, existem as dúvidas e os problemas. Cientificamente não há nada hoje que comprova que faça bem ou mal. E como geneticistas eu pergunto: foi devidamente estudado?”, questiona Waldersse Piragé, Doutor em Genética e professor de Biotecnologia nos cursos de Medicina e Engenharia de Alimentos da Universidade Federal do Tocantins (UFT). Ele diz não ter conhecimento de que no Tocantins, existam pesquisas voltadas para essa área, embora haja muitas plantações de grãos OGM, como soja e milho.
Dr. Piragé defende o uso dos transgênicos, mas com cautela e pesquisa. “Não se pode sair por aí distribuindo transgênicos aleatoriamente. Deve haver tempo para teste, análise e pesquisa prévia. As grandes corporações só pensam no lucro e o mais rápido possível”, completa.
O maior argumento pró-transgênico finca-se na aposta de que o alimento OGM contribuirá para combater a fome no mundo. O grão é modificado para resistir a agrotóxicos, possuir propriedades inseticidas, ou ambos. Distantes do que se passa dentro dos laboratórios, muitas pessoas acreditam que os OGM foram criados para ter mais nutrientes, ou ainda, para resistir às variações climáticas.
Conforme alerta o norte-americano Jeffrey Smith, jornalista e diretor executivo do Instituto Pela Tecnologia Responsável, autor dos livros Roleta Genética e Semente do Engano (o segundo ainda a ser lançado no Brasil), pesquisas realizadas nos últimos dez anos confirmam que a propaganda é enganosa. “As colheitas de transgênicos podem ser perigosas inconsistentes. Ela pode exacerbar a insegurança alimentar, aumentando o número de pessoas com fome”, disse Smith, quando esteve no país em 2009.
Para o norte-americano, os alimentos transgênicos podem ser o próximo grande problema da humanidade, depois do aquecimento global e do lixo atômico. O jornalista corre o mundo alertando o poder público sobre o risco da biotecnologia aplicada aos alimentos. “Diferentemente da poluição química, os transgênicos se auto-propagam e podem se tornar elementos fixos de nosso meio ambiente. Parece-me razoável e prudente congelar qualquer novo lançamento de transgênicos até que tenhamos uma melhor compreensão do DNA, e as ramificações de nossa intervenção”, afirmou.
Segundo o Dr. Piragé, existe mais especulação por parte das Ong’s especializadas do que pesquisas comprovadas. “É claro que existe o risco ambiental, mas isso tem que ser estudado. Sou defensor árduo dos testes e da cautela. É fundamental que haja uma legislação adequada e principalmente informação para quem vai consumir”, conclui.
Além de riscos ambientais e sociais , o maior risco da liberação e consumo de alimentos transgênicos é que não se sabe ainda, quais os problemas que estas alterações genéticas podem causar nos organismos. E provavelmente, somente as gerações futuras vão saber.
No Brasil, o debate sobre biossegurança de transgênicos parece esfriar, justamente quando a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNbio), na Câmara Federal, está preste aprovar o arroz da Bayer, modificado geneticamente.
Largamente difundidos nas prateleiras dos supermercados, não se sabe ainda quais os malefícios dos alimentos geneticamente modificados
Por redação do Jornal O Girasol
Primeiro foi a soja e o algodão. Depois o milho, e agora é possível que a alimentação básica do brasileiro, o arroz e futuramente o feijão, também sejam modificados por laboratórios, transformando-se em alimentos transgênicos.
Os transgênicos são Organismos Geneticamente Modificados (OGM). Seres vivos criados em laboratório a partir de cruzamentos que jamais aconteceriam na natureza. Explico melhor: usando uma técnica que permite cortar genes de uma determinada espécie e colocá-la em outra, os cientistas criam organismos novos através da união de uma planta com uma bactéria; animal com inseto; bactéria com vírus, etc. Resumindo, sem testes que comprovam se esses alimentos são ou não prejudiciais à saúde humana, verdadeiros “monstros” estão sendo introduzidas diariamente à nossa dieta alimentar (ver Risco para Saúde).
“Como qualquer coisa inovadora, existem as dúvidas e os problemas. Cientificamente não há nada hoje que comprova que faça bem ou mal. E como geneticistas eu pergunto: foi devidamente estudado?”, questiona Waldersse Piragé, Doutor em Genética e professor de Biotecnologia nos cursos de Medicina e Engenharia de Alimentos da Universidade Federal do Tocantins (UFT). Ele diz não ter conhecimento de que no Tocantins, existam pesquisas voltadas para essa área, embora haja muitas plantações de grãos OGM, como soja e milho.
Dr. Piragé defende o uso dos transgênicos, mas com cautela e pesquisa. “Não se pode sair por aí distribuindo transgênicos aleatoriamente. Deve haver tempo para teste, análise e pesquisa prévia. As grandes corporações só pensam no lucro e o mais rápido possível”, completa.
O maior argumento pró-transgênico finca-se na aposta de que o alimento OGM contribuirá para combater a fome no mundo. O grão é modificado para resistir a agrotóxicos, possuir propriedades inseticidas, ou ambos. Distantes do que se passa dentro dos laboratórios, muitas pessoas acreditam que os OGM foram criados para ter mais nutrientes, ou ainda, para resistir às variações climáticas.
Conforme alerta o norte-americano Jeffrey Smith, jornalista e diretor executivo do Instituto Pela Tecnologia Responsável, autor dos livros Roleta Genética e Semente do Engano (o segundo ainda a ser lançado no Brasil), pesquisas realizadas nos últimos dez anos confirmam que a propaganda é enganosa. “As colheitas de transgênicos podem ser perigosas inconsistentes. Ela pode exacerbar a insegurança alimentar, aumentando o número de pessoas com fome”, disse Smith, quando esteve no país em 2009.
Para o norte-americano, os alimentos transgênicos podem ser o próximo grande problema da humanidade, depois do aquecimento global e do lixo atômico. O jornalista corre o mundo alertando o poder público sobre o risco da biotecnologia aplicada aos alimentos. “Diferentemente da poluição química, os transgênicos se auto-propagam e podem se tornar elementos fixos de nosso meio ambiente. Parece-me razoável e prudente congelar qualquer novo lançamento de transgênicos até que tenhamos uma melhor compreensão do DNA, e as ramificações de nossa intervenção”, afirmou.
Segundo o Dr. Piragé, existe mais especulação por parte das Ong’s especializadas do que pesquisas comprovadas. “É claro que existe o risco ambiental, mas isso tem que ser estudado. Sou defensor árduo dos testes e da cautela. É fundamental que haja uma legislação adequada e principalmente informação para quem vai consumir”, conclui.
Além de riscos ambientais e sociais , o maior risco da liberação e consumo de alimentos transgênicos é que não se sabe ainda, quais os problemas que estas alterações genéticas podem causar nos organismos. E provavelmente, somente as gerações futuras vão saber.
No Brasil, o debate sobre biossegurança de transgênicos parece esfriar, justamente quando a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNbio), na Câmara Federal, está preste aprovar o arroz da Bayer, modificado geneticamente.
sábado, 1 de maio de 2010
Se a mudança não se produzir, que futuro nos espera?
Os analistas sociais já têm dificuldade para entender o passado e o presente, e muito mais o futuro. O que podemos fazer são profecias condicionais. Como diziam os profetas do Antigo Testamento, se não mudarmos sobrevém uma catástrofe. Podemos prever que se seguirmos com este sistema, com os negócios de sempre, vamos ter uma crise ainda mais grave, econômica e ecológica. Temos que tomar consciência da necessidade de uma mudança de rumo, confiando na racionalidade dos seres humanos, sobretudo dos oprimidos e explorados, para que as coisas mudem.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
EUA tentam driblar testes de transgênicos'
Ter, 20/Abr/2010 00:01 Reportagens
O PHD Michael Hansen, cientista sênior da maior organização de consumidores do mundo, afirma a Galileu que EUA e multinacionais do setor não querem testar efeito de transgênicos à saúde
por Mariana Lucena
Foto: Debora Feddersen / Editora Globo
Parece uma inocente espiga de milho. O que você não sabe é que genes de outras espécies foram inseridos no DNA dela. Não houve avaliação se o procedimento quebrou uma sequência genética importante – ou pior, se criou uma série de genes cancerígena. Por que você não sabe? Porque algumas multinacionais não permitem testes mais longos antes de a espiga chegar ao seu prato. É isso o que conta Michael Hansen, PhD em impactos da biotecnologia na agricultura e cientista sênior da maior organização de consumidores do mundo, a Consumers Union dos Estados Unidos. O estudioso virá ao Brasil em 26 de abril para participar da conferência Segurança dos Alimentos: o que o mundo está discutindo a respeito dos transgênicos e agrotóxicos. Nesta entrevista exclusiva, ele discute o perigo pelo qual estamos passando.
Estamos aderindo aos transgênicos de maneira responsável?
Nos Estados Unidos, a resposta é absolutamente não. Aqui nós não exigimos testes de segurança antes que estes produtos entrem no mercado e sejam exportados. Existem acordos internacionais que aconselham os países a fazer isso, mas nos Estados Unidos estamos ignorando os potenciais problemas à saúde humana.
O Brasil está sendo mais exigente?
O Brasil permitiu que essas safras [de transgênicos] entrassem no mercado e os mesmos problemas se aplicam. Acredito que haja um problema com a soja, inclusive problemas ambientais, e entendo que a maioria dos dados usados no Brasil para aprovar a comercialização de soja transgênica foram obtidos em pesquisas feitas nos EUA. E também foi descoberto que os produtos químicos que são jogados na plantação de soja para matar ervas daninhas, com o tempo vão fazendo com que essas ervas daninhas se tornem resistentes. Isso já é um problema aqui nos Estados Unidos e logo será no Brasil.
Mutações acontecem o tempo todo na natureza.
Não dá na mesma comer um alimento geneticamente modificado ou um que sofreu mutação genética natural?
O que é diferente na engenharia genética é a maneira como o gene é inserido ali. Não existe nenhum controle sobre o lugar em que o gene é inserido dentro do genoma e isso pode ser incrivelmente destrutivo. Com a mutação natural, há uma razão para os genes estarem localizados em cromossomos específicos.
Que problemas os transgênicos podem causar à saúde humana?
Muitas das plantações usam o herbicida glyphosate, produto que pode causar alguns tipos de câncer. Também existem preocupações a respeito das safras Bt [tratadas com um inseticida composto por uma bactéria geneticamente modificada]. Acreditamos que a bactéria usada no algodão Bt é a causa de alergias e reações imunológicas adversas.
Em que evidências você se baseia para chegar a essa conclusão?
Um trabalho desenvolvido pelo oncologista Lennart Hardell, da Suécia, demonstrou que pessoas expostas por muito tempo ao herbicida glyphosate têm mais chances de desenvolver tumores. Outros estudos, em que ratos foram alimentados com transgênicos, mostraram que aconteceu ali uma resposta negativa do sistema imunológico.
Há casos reais em que populações foram afetadas?
Em plantações de algodão Bt, na Índia, muitos dos trabalhadores — tanto da plantação quanto das fábricas em que esse algodão era processado — tiveram sintomas alérgicos, como rachaduras no corpo, olhos avermelhados e lacrimejantes, narizes entupidos. Quando os médicos observaram essa vila, descobriram que mais de ¾ das pessoas com esses sintomas eram trabalhadores do campo. Se afastados das plantações, eles melhoravam, mas, se continuavam trabalhando, os sintomas pioravam.
Algumas pesquisas feitas com trabalhadores rurais nos Estados Unidos também demonstraram que eles geravam anticorpos contra os agrotóxicos Bt [o que significa que seus corpos reconheciam a substância como agressiva ao organismo]. O cientista que descobriu isso, há dez anos, disse “ok, agora eu tenho o reagente que podemos testar para saber se essas safras gerariam reações alérgicas”. E esse cientista, até hoje, não foi capaz de arranjar nenhum patrocínio.
Você acredita que cientistas não conseguem pesquisar transgênicos por causa de lobby de empresas como a Monsanto?
Isso é absolutamente verdadeiro. Há um ano, 26 cientistas americanos que trabalham com insetos escreveram para o EPA (Agência de Proteção Ambiental Americana) e disseram: “não conseguimos fazer nosso trabalho, não podemos analisar essas safras porque não somos permitidos”. Todos eles trabalhavam em universidades. Se algum deles quisesse comparar o milho Bt da Monsanto com outros competidores, ou investigar possíveis efeitos colaterais, ele teria que pedir permissão à empresa. E os contratos que os funcionários assinam antes de trabalhar nessas empresas dizem que eles são proibidos de oferecer amostras das sementes para pesquisadores.
Mas não é do interesse dessas companhias que seus produtos não deixem as pessoas doentes e não lhes rendam processos?
Veja, quantos produtos precisaram estar anos no mercado para que as pessoas soubessem que eles não eram seguros? Pense nos pesticidas, existem exemplos atrás de exemplos de pesticidas que eram maléficos à saúde e demoraram anos a sair do mercado. Em longo prazo isso não é inteligente. Quando você tem mais poder [de barrar] é antes do produto entrar no mercado. Quando ele está sendo comercializado e dando lucro, é muito mais difícil retirá-lo. E digamos que a EPA processe a empresa em US$ 10 milhões. Na verdade, em um ano de vendas deste produto eles ganham US$ 20 ou US$ 30 milhões. Além disso, quando se retira um produto do mercado porque ele não era bom, você abre as portas para processos.
Mesmo que o Brasil imponha critérios mais rígidos, como nós poderíamos estar protegidos contra alimentos importados, que obedeceriam a critérios diferentes?
Hoje nós apoiamos uma iniciativa que se chama The Brazilian Compromisse (Compromisso Brasileiro). Ele tem esse nome porque foi uma sugestão brasileira. Determina que os países podem usar critérios diferentes para rotular seus alimentos transgênicos e que esse rótulo é um meio primordial de comunicação entre o vendedor, de um lado, e o comprador de outro. Se esse documento for aprovado, nenhum país no mundo precisará se preocupar com um protesto comercial dos Estados Unidos, caso eles decidam barrar seus alimentos transgênicos. Eles não poderão alegar que são barreiras comerciais, porque será um direito dos países impor essas barreiras técnicas de qualidade. E é por isso que os Estados Unidos estão lutando para que este documento não seja aprovado.
Um argumento muito comum é o de que as sementes geneticamente modificadas podem viajar pelo ar e se misturar com as plantações comuns. Isso é verdade?
Sim, pode acontecer. Existe aí até mesmo um impacto negativo economicamente falando. No Brasil, por exemplo, a soja transgênica pode contaminar plantações não transgênicas. E existe um mercado para soja não alterada geneticamente - fazendeiros podem inclusive optar por vendê-la mais caro. Se essa soja estiver contaminada, eles não podem mais fazer isso.
Os trangênicos deveriam ser proibidos?
Não. Nossa posição é que isso deveria depender das decisões de cada país. Nós estamos preocupados com a tecnologia, e ela precisa ser testada melhor antes de entrar no mercado. Se eles forem testados e aprovados, poderiam ser permitidos.
Digamos que os testes levem anos. A humanidade, crescendo como está, conseguiria se alimentar sem os transgênicos durante esse período?
Não existe nenhuma evidência de que comida geneticamente modificada seja mais barata. Na verdade, dados dos EUA mostram que essas sementes custam muito caro. Eu também argumento: o culpado pelo problema da fome hoje não é a falta de alimentos, mas a distribuição desigual deles.
Fonte: Revista Galileu
O PHD Michael Hansen, cientista sênior da maior organização de consumidores do mundo, afirma a Galileu que EUA e multinacionais do setor não querem testar efeito de transgênicos à saúde
por Mariana Lucena
Foto: Debora Feddersen / Editora Globo
Parece uma inocente espiga de milho. O que você não sabe é que genes de outras espécies foram inseridos no DNA dela. Não houve avaliação se o procedimento quebrou uma sequência genética importante – ou pior, se criou uma série de genes cancerígena. Por que você não sabe? Porque algumas multinacionais não permitem testes mais longos antes de a espiga chegar ao seu prato. É isso o que conta Michael Hansen, PhD em impactos da biotecnologia na agricultura e cientista sênior da maior organização de consumidores do mundo, a Consumers Union dos Estados Unidos. O estudioso virá ao Brasil em 26 de abril para participar da conferência Segurança dos Alimentos: o que o mundo está discutindo a respeito dos transgênicos e agrotóxicos. Nesta entrevista exclusiva, ele discute o perigo pelo qual estamos passando.
Estamos aderindo aos transgênicos de maneira responsável?
Nos Estados Unidos, a resposta é absolutamente não. Aqui nós não exigimos testes de segurança antes que estes produtos entrem no mercado e sejam exportados. Existem acordos internacionais que aconselham os países a fazer isso, mas nos Estados Unidos estamos ignorando os potenciais problemas à saúde humana.
O Brasil está sendo mais exigente?
O Brasil permitiu que essas safras [de transgênicos] entrassem no mercado e os mesmos problemas se aplicam. Acredito que haja um problema com a soja, inclusive problemas ambientais, e entendo que a maioria dos dados usados no Brasil para aprovar a comercialização de soja transgênica foram obtidos em pesquisas feitas nos EUA. E também foi descoberto que os produtos químicos que são jogados na plantação de soja para matar ervas daninhas, com o tempo vão fazendo com que essas ervas daninhas se tornem resistentes. Isso já é um problema aqui nos Estados Unidos e logo será no Brasil.
Mutações acontecem o tempo todo na natureza.
Não dá na mesma comer um alimento geneticamente modificado ou um que sofreu mutação genética natural?
O que é diferente na engenharia genética é a maneira como o gene é inserido ali. Não existe nenhum controle sobre o lugar em que o gene é inserido dentro do genoma e isso pode ser incrivelmente destrutivo. Com a mutação natural, há uma razão para os genes estarem localizados em cromossomos específicos.
Que problemas os transgênicos podem causar à saúde humana?
Muitas das plantações usam o herbicida glyphosate, produto que pode causar alguns tipos de câncer. Também existem preocupações a respeito das safras Bt [tratadas com um inseticida composto por uma bactéria geneticamente modificada]. Acreditamos que a bactéria usada no algodão Bt é a causa de alergias e reações imunológicas adversas.
Em que evidências você se baseia para chegar a essa conclusão?
Um trabalho desenvolvido pelo oncologista Lennart Hardell, da Suécia, demonstrou que pessoas expostas por muito tempo ao herbicida glyphosate têm mais chances de desenvolver tumores. Outros estudos, em que ratos foram alimentados com transgênicos, mostraram que aconteceu ali uma resposta negativa do sistema imunológico.
Há casos reais em que populações foram afetadas?
Em plantações de algodão Bt, na Índia, muitos dos trabalhadores — tanto da plantação quanto das fábricas em que esse algodão era processado — tiveram sintomas alérgicos, como rachaduras no corpo, olhos avermelhados e lacrimejantes, narizes entupidos. Quando os médicos observaram essa vila, descobriram que mais de ¾ das pessoas com esses sintomas eram trabalhadores do campo. Se afastados das plantações, eles melhoravam, mas, se continuavam trabalhando, os sintomas pioravam.
Algumas pesquisas feitas com trabalhadores rurais nos Estados Unidos também demonstraram que eles geravam anticorpos contra os agrotóxicos Bt [o que significa que seus corpos reconheciam a substância como agressiva ao organismo]. O cientista que descobriu isso, há dez anos, disse “ok, agora eu tenho o reagente que podemos testar para saber se essas safras gerariam reações alérgicas”. E esse cientista, até hoje, não foi capaz de arranjar nenhum patrocínio.
Você acredita que cientistas não conseguem pesquisar transgênicos por causa de lobby de empresas como a Monsanto?
Isso é absolutamente verdadeiro. Há um ano, 26 cientistas americanos que trabalham com insetos escreveram para o EPA (Agência de Proteção Ambiental Americana) e disseram: “não conseguimos fazer nosso trabalho, não podemos analisar essas safras porque não somos permitidos”. Todos eles trabalhavam em universidades. Se algum deles quisesse comparar o milho Bt da Monsanto com outros competidores, ou investigar possíveis efeitos colaterais, ele teria que pedir permissão à empresa. E os contratos que os funcionários assinam antes de trabalhar nessas empresas dizem que eles são proibidos de oferecer amostras das sementes para pesquisadores.
Mas não é do interesse dessas companhias que seus produtos não deixem as pessoas doentes e não lhes rendam processos?
Veja, quantos produtos precisaram estar anos no mercado para que as pessoas soubessem que eles não eram seguros? Pense nos pesticidas, existem exemplos atrás de exemplos de pesticidas que eram maléficos à saúde e demoraram anos a sair do mercado. Em longo prazo isso não é inteligente. Quando você tem mais poder [de barrar] é antes do produto entrar no mercado. Quando ele está sendo comercializado e dando lucro, é muito mais difícil retirá-lo. E digamos que a EPA processe a empresa em US$ 10 milhões. Na verdade, em um ano de vendas deste produto eles ganham US$ 20 ou US$ 30 milhões. Além disso, quando se retira um produto do mercado porque ele não era bom, você abre as portas para processos.
Mesmo que o Brasil imponha critérios mais rígidos, como nós poderíamos estar protegidos contra alimentos importados, que obedeceriam a critérios diferentes?
Hoje nós apoiamos uma iniciativa que se chama The Brazilian Compromisse (Compromisso Brasileiro). Ele tem esse nome porque foi uma sugestão brasileira. Determina que os países podem usar critérios diferentes para rotular seus alimentos transgênicos e que esse rótulo é um meio primordial de comunicação entre o vendedor, de um lado, e o comprador de outro. Se esse documento for aprovado, nenhum país no mundo precisará se preocupar com um protesto comercial dos Estados Unidos, caso eles decidam barrar seus alimentos transgênicos. Eles não poderão alegar que são barreiras comerciais, porque será um direito dos países impor essas barreiras técnicas de qualidade. E é por isso que os Estados Unidos estão lutando para que este documento não seja aprovado.
Um argumento muito comum é o de que as sementes geneticamente modificadas podem viajar pelo ar e se misturar com as plantações comuns. Isso é verdade?
Sim, pode acontecer. Existe aí até mesmo um impacto negativo economicamente falando. No Brasil, por exemplo, a soja transgênica pode contaminar plantações não transgênicas. E existe um mercado para soja não alterada geneticamente - fazendeiros podem inclusive optar por vendê-la mais caro. Se essa soja estiver contaminada, eles não podem mais fazer isso.
Os trangênicos deveriam ser proibidos?
Não. Nossa posição é que isso deveria depender das decisões de cada país. Nós estamos preocupados com a tecnologia, e ela precisa ser testada melhor antes de entrar no mercado. Se eles forem testados e aprovados, poderiam ser permitidos.
Digamos que os testes levem anos. A humanidade, crescendo como está, conseguiria se alimentar sem os transgênicos durante esse período?
Não existe nenhuma evidência de que comida geneticamente modificada seja mais barata. Na verdade, dados dos EUA mostram que essas sementes custam muito caro. Eu também argumento: o culpado pelo problema da fome hoje não é a falta de alimentos, mas a distribuição desigual deles.
Fonte: Revista Galileu
terça-feira, 27 de abril de 2010
segunda-feira, 26 de abril de 2010
domingo, 25 de abril de 2010
O CAMINHO EM FRENTE
Como nunca antes na história, o destino comum chama-nos para encontrar um novo começo. Tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra.
Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adaptar e promover os valores e objetivos da Carta.Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal.
Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global.
A nossa diversidade cultural é uma herança preciosa, e diferentes culturas encontrarão as suas próprias e distintas formas de concretizar esta visão.
Devemos aprofundar e expandir o diálogo global gerado pela Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca iminente e conjunta pela verdade e pela sabedoria.A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Porém, necessitamos encontrar caminhos para harmoniosamente conjugar diversidade com unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objectivos de curto prazo com metas de longo prazo.
Todo o indivíduo, família, organização e comunidade têm um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade eficaz.
Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar o seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir as suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra como um instrumento internacional legalmente unificador quanto ao ambiente e ao desenvolvimento.Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova veneração face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida.
Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adaptar e promover os valores e objetivos da Carta.Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal.
Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global.
A nossa diversidade cultural é uma herança preciosa, e diferentes culturas encontrarão as suas próprias e distintas formas de concretizar esta visão.
Devemos aprofundar e expandir o diálogo global gerado pela Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca iminente e conjunta pela verdade e pela sabedoria.A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Porém, necessitamos encontrar caminhos para harmoniosamente conjugar diversidade com unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objectivos de curto prazo com metas de longo prazo.
Todo o indivíduo, família, organização e comunidade têm um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade eficaz.
Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar o seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir as suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra como um instrumento internacional legalmente unificador quanto ao ambiente e ao desenvolvimento.Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova veneração face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida.
JUSTIÇA SOCIAL E ECONÓMICA
9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.
a) Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, distribuindo os necessários recursos nacionais e internacionais.
b) Proporcionar educação e recursos a cada ser humano, para assegurar uma subsistência sustentável, e proporcionar segurança social, e rendimentos sociais a todos aqueles que não capazes de manter-se por conta própria.
c) Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir aqueles que sofrem, epermitir-lhes desenvolver as suas capacidades e alcançar as suas aspirações.
10. Garantir que as actividades e instituições económicas, a todos os níveis, promovam o desenvolvimento humano de forma equitativa e sustentável.
a) Promover a distribuição equitativa da riqueza internamente e entre as nações.
b) Promover o desenvolvimento dos recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento, e isentá-las de dívidas internacionais onerosas.
c) Garantir que todas as transacções comerciais apoiem o uso de recursossustentáveis, a protecção ambiental e normas laborais progressistas.
d) Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com transparência em benefício do bem comum, e responsabilizá-las, pelas consequências das suas atividades.
11. Afirmar a igualdade e a equidade entre sexos como pré-requisito para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência na saúde e às oportunidades económicas.
a) Assegurar os direitos humanos das mulheres e das jovens e acabar com toda a violência contra elas.
b) Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural, como parceiras plenas e paritárias, decisoras, líderes e beneficiárias.
c) Fortalecer as famílias, e garantir a segurança e a educação de todos os membros da família.
12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar psíquico, concedendo especial atenção aos direitos dos povos indígenas e das minorias.
a) Eliminar a discriminação em todas as suas formas, como baseadas em raça, cor, sexo, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.
b) Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, educação, terras e recursos, assim como às suas práticas, relacionadas com formas sustentáveis de vida.
c) Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir o seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
d) Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual.
13. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e capacidades necessárias para um modo de vida sustentável.
a) Oferecer a todos, especialmente às crianças e aos jovens, oportunidades de educação que lhes permitam contribuir activamente para o desenvolvimento sustentável.
b) Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na Educação para a sustentabilidade.
c) Intensificar o papel dos média no sentido de aumentar a sensibilização para os desafios ecológicos e sociais.
d) Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma subsistência sustentável.
14. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideraçãoa
a) Impedir maus tratos aos animais integrados em sociedades humanas e protegê-los de sofrimentos.
b) Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca, que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.
c) Eliminar ou evitar até ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.
15. Promover uma cultura de tolerância, não violência e paza
a) Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, internamente e entre as nações.
b) Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos armados e usar a colaboração na resolução de problemas para manejar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.
c) Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até chegar ao nível de uma postura não-provocativa da defesa, e converter os recursos militares em propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.
d) Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa.
e) Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico mantenha a protecção ambiental e paz.
f) Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações correctas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a universalidade da qual somos parte.
a) Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, distribuindo os necessários recursos nacionais e internacionais.
b) Proporcionar educação e recursos a cada ser humano, para assegurar uma subsistência sustentável, e proporcionar segurança social, e rendimentos sociais a todos aqueles que não capazes de manter-se por conta própria.
c) Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir aqueles que sofrem, epermitir-lhes desenvolver as suas capacidades e alcançar as suas aspirações.
10. Garantir que as actividades e instituições económicas, a todos os níveis, promovam o desenvolvimento humano de forma equitativa e sustentável.
a) Promover a distribuição equitativa da riqueza internamente e entre as nações.
b) Promover o desenvolvimento dos recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento, e isentá-las de dívidas internacionais onerosas.
c) Garantir que todas as transacções comerciais apoiem o uso de recursossustentáveis, a protecção ambiental e normas laborais progressistas.
d) Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com transparência em benefício do bem comum, e responsabilizá-las, pelas consequências das suas atividades.
11. Afirmar a igualdade e a equidade entre sexos como pré-requisito para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência na saúde e às oportunidades económicas.
a) Assegurar os direitos humanos das mulheres e das jovens e acabar com toda a violência contra elas.
b) Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural, como parceiras plenas e paritárias, decisoras, líderes e beneficiárias.
c) Fortalecer as famílias, e garantir a segurança e a educação de todos os membros da família.
12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar psíquico, concedendo especial atenção aos direitos dos povos indígenas e das minorias.
a) Eliminar a discriminação em todas as suas formas, como baseadas em raça, cor, sexo, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.
b) Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, educação, terras e recursos, assim como às suas práticas, relacionadas com formas sustentáveis de vida.
c) Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir o seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
d) Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual.
13. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e capacidades necessárias para um modo de vida sustentável.
a) Oferecer a todos, especialmente às crianças e aos jovens, oportunidades de educação que lhes permitam contribuir activamente para o desenvolvimento sustentável.
b) Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na Educação para a sustentabilidade.
c) Intensificar o papel dos média no sentido de aumentar a sensibilização para os desafios ecológicos e sociais.
d) Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma subsistência sustentável.
14. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideraçãoa
a) Impedir maus tratos aos animais integrados em sociedades humanas e protegê-los de sofrimentos.
b) Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca, que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.
c) Eliminar ou evitar até ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.
15. Promover uma cultura de tolerância, não violência e paza
a) Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, internamente e entre as nações.
b) Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos armados e usar a colaboração na resolução de problemas para manejar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.
c) Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até chegar ao nível de uma postura não-provocativa da defesa, e converter os recursos militares em propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.
d) Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa.
e) Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico mantenha a protecção ambiental e paz.
f) Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações correctas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a universalidade da qual somos parte.
INTEGRIDADE ECOLÓGICA
5. Proteger e repor a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica, e pelos processos naturais que sustentam a vida.
a) Adoptar planos e estratégias de desenvolvimento sustentável, a todos os níveis, que façam com que a conservação ambiental e a reabilitação sejam parte integrante de todas as iniciativas de desenvolvimento.
b) Estabelecer e proteger de forma viável as reservas naturais e a biosfera, incluindo regiões selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar a nossa herança natural.
c) Promover a recuperação de espécies e de ecossistemas ameaçados.
d) Controlar e erradicar organismos não-nativos ou geneticamente modificados que causem dano às espécies nativas, ao ambiente, e prevenir a introdução desses organismos.
e) Gerir o uso de recursos renováveis como a água, o solo, os produtos florestais e vida marinha de uma forma que não ultrapasse as taxas de regeneração e que protejam a saúde dos ecossistemas.
f) Gerir a extracção e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis por forma a que diminuam a exaustão e não causem dano ambiental grave.
6. Prevenir os impactes negativos para o ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma abordagem de precaução.
a) Orientar acções para evitar a possibilidade de sérios ou irreversíveis danos ambientais, mesmo quando a informação científica for incompleta ou inconclusiva.
b) Impor o ónus da prova àqueles que afirmarem que a actividade proposta não causará dano significativo, e responsabilizar as partes pelos danos causados no ambiente.
c) Garantir que a decisão a ser tomada se oriente pelas consequências humanas globais, cumulativas, de longo prazo, indirectas e de longo alcance.
d) Impedir a poluição de qualquer parte do ambiente, e não permitir o aumento de produção de substâncias radioactivas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
e) Evitar que o ambiente seja danificado por actividades militares.
7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.
a) Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos
b) Atuar com restrição e eficiência em relação ao consumo energético e recorrer cada vez mais aos recursos energéticos renováveis, como a energia solar e a eólica.
c) Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência equitativa de tecnologias ambientais seguras.
d) Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda, e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam as mais altas normas sociais e ambientais.
e) Garantir acesso universal aos cuidados médicos que fomentem a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
f) Adoptar modos de vida que acentuem a qualidade de vida e a subsistência material num mundo finito.
8. Desenvolver o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a permuta aberta e a ampla aplicação do conhecimento adquirido.
a) Apoiar a cooperação científica e tecnológica internacional relacionada com a sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.
b) Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual, em todas as culturas, que contribuam para a protecção ambiental e o bem-estar humano.
c) Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a protecção ambiental, incluindo informação genética, estejam disponíveis no domínio público.
a) Adoptar planos e estratégias de desenvolvimento sustentável, a todos os níveis, que façam com que a conservação ambiental e a reabilitação sejam parte integrante de todas as iniciativas de desenvolvimento.
b) Estabelecer e proteger de forma viável as reservas naturais e a biosfera, incluindo regiões selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar a nossa herança natural.
c) Promover a recuperação de espécies e de ecossistemas ameaçados.
d) Controlar e erradicar organismos não-nativos ou geneticamente modificados que causem dano às espécies nativas, ao ambiente, e prevenir a introdução desses organismos.
e) Gerir o uso de recursos renováveis como a água, o solo, os produtos florestais e vida marinha de uma forma que não ultrapasse as taxas de regeneração e que protejam a saúde dos ecossistemas.
f) Gerir a extracção e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis por forma a que diminuam a exaustão e não causem dano ambiental grave.
6. Prevenir os impactes negativos para o ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma abordagem de precaução.
a) Orientar acções para evitar a possibilidade de sérios ou irreversíveis danos ambientais, mesmo quando a informação científica for incompleta ou inconclusiva.
b) Impor o ónus da prova àqueles que afirmarem que a actividade proposta não causará dano significativo, e responsabilizar as partes pelos danos causados no ambiente.
c) Garantir que a decisão a ser tomada se oriente pelas consequências humanas globais, cumulativas, de longo prazo, indirectas e de longo alcance.
d) Impedir a poluição de qualquer parte do ambiente, e não permitir o aumento de produção de substâncias radioactivas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
e) Evitar que o ambiente seja danificado por actividades militares.
7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.
a) Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos
b) Atuar com restrição e eficiência em relação ao consumo energético e recorrer cada vez mais aos recursos energéticos renováveis, como a energia solar e a eólica.
c) Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência equitativa de tecnologias ambientais seguras.
d) Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda, e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam as mais altas normas sociais e ambientais.
e) Garantir acesso universal aos cuidados médicos que fomentem a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
f) Adoptar modos de vida que acentuem a qualidade de vida e a subsistência material num mundo finito.
8. Desenvolver o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a permuta aberta e a ampla aplicação do conhecimento adquirido.
a) Apoiar a cooperação científica e tecnológica internacional relacionada com a sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.
b) Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual, em todas as culturas, que contribuam para a protecção ambiental e o bem-estar humano.
c) Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a protecção ambiental, incluindo informação genética, estejam disponíveis no domínio público.
I. RESPEITAR E CUIDAR A COMUNIDADE DA VIDA
1. Respeitar a Terra e a vida em toda a sua diversidade.
a) Reconhecer que todos os seres estão interligados e que cada forma de vida tem valor, independentemente da sua utilidade para os seres humanos.
b) Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.
2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.
a) Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais, vem o dever de impedir danos causados ao ambiente, e de proteger os direitos das pessoas.
b) Assumir que o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder implica aumento da responsabilidade na promoção do bem comum.
3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.
a) Assegurar que as comunidades, a todos os níveis, garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais, e proporcionem a cada um a oportunidade de usar o seu potencial.
b) Promover a justiça económica e social, proporcionando a todos alcançar uma subsistência significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.
4. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações.
a) Reconhecer que a liberdade de acção de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
b) Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apoiem, a longo prazo, a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra.Para poder cumprir estes quatro grandes compromissos, é necessário: integridade ecológica e justiça social.
a) Reconhecer que todos os seres estão interligados e que cada forma de vida tem valor, independentemente da sua utilidade para os seres humanos.
b) Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.
2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.
a) Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais, vem o dever de impedir danos causados ao ambiente, e de proteger os direitos das pessoas.
b) Assumir que o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder implica aumento da responsabilidade na promoção do bem comum.
3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.
a) Assegurar que as comunidades, a todos os níveis, garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais, e proporcionem a cada um a oportunidade de usar o seu potencial.
b) Promover a justiça económica e social, proporcionando a todos alcançar uma subsistência significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.
4. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações.
a) Reconhecer que a liberdade de acção de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
b) Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apoiem, a longo prazo, a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra.Para poder cumprir estes quatro grandes compromissos, é necessário: integridade ecológica e justiça social.
Necessitamos urgentemente de uma visão conjunta de valores básicos, para proporcionar um fundamento ético à comunidade global emergente. Por isso, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, todos interdependentes, visando um modo de vida sustentável como objectivo comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos e instituições transnacionais será guiada e avaliada.
Responsabilidade Universal
Para aceitarmos estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com toda a comunidade global, bem como com as nossas comunidades locais. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e do mundo, no qual as dimensões local e global estão ligadas. Cada um partilha da responsabilidade pelo bem-estar actual, e o futuro da humanidade e de todo o mundo vivo.
O espírito de solidariedade humana e de parentesco com todas as formas de vida é fortalecido quando vivemos com reverência pelo mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida, e com humildade, considerando o lugar que ocupa o ser humano da Natureza.
O espírito de solidariedade humana e de parentesco com todas as formas de vida é fortalecido quando vivemos com reverência pelo mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida, e com humildade, considerando o lugar que ocupa o ser humano da Natureza.
Desafios para o futuro
A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou pôr em risco a nossa existência e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais nos nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas estiverem ao alcance de todos, o desenvolvimento humano estará voltado, primariamente, a ser mais e não a ter mais.
Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer todos e reduzir os impactes sobre o ambiente. O crescimento de uma sociedade civil global está a criar novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano.
Os nossos desafios em questões ambientais, económicas, políticas, sociais e espirituais estão interligados, e juntos podemos estabelecer soluções que incluam todos estes aspectos.
Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer todos e reduzir os impactes sobre o ambiente. O crescimento de uma sociedade civil global está a criar novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano.
Os nossos desafios em questões ambientais, económicas, políticas, sociais e espirituais estão interligados, e juntos podemos estabelecer soluções que incluam todos estes aspectos.
A Situação Global
Os padrões dominantes de produção e consumo estão a provocar a devastação dos ecossistemas, a redução drástica dos recursos, e uma explosiva extinção de espécies. As comunidades estão a ser minadas.
Os benefícios do desenvolvimento não são partilhados equitativamente, e o fosso entre ricos e pobres aumenta colossalmente. A injustiça, a pobreza, a iletracia e os conflitos armados têm aumentado, e são a causa de muitos sofrimentos.
O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológicos e sociais.As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas mas evitáveis.
Os benefícios do desenvolvimento não são partilhados equitativamente, e o fosso entre ricos e pobres aumenta colossalmente. A injustiça, a pobreza, a iletracia e os conflitos armados têm aumentado, e são a causa de muitos sofrimentos.
O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológicos e sociais.As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas mas evitáveis.
Terra, a Nossa Casa
A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, a nossa casa, está viva como comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da sobrevivência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida.
A capacidade de recuperação das comunidades vivas, e o bem-estar da humanidade, dependem da manutenção de uma biosfera saudável em todos os seus sistemas ecológicos, uma enorme diversidade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo.
O ambiente global com seus recursos não renováveis, é uma preocupação comum a todas as pessoas. A protecção da beleza, diversidade e vitalidade da Terra é um dever sagrado.
A capacidade de recuperação das comunidades vivas, e o bem-estar da humanidade, dependem da manutenção de uma biosfera saudável em todos os seus sistemas ecológicos, uma enorme diversidade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo.
O ambiente global com seus recursos não renováveis, é uma preocupação comum a todas as pessoas. A protecção da beleza, diversidade e vitalidade da Terra é um dever sagrado.
carta da terra
Estamos num momento crítico da história da Terra, numa época em que a humanidade tem de escolher o seu futuro. À medida que o mundo se torna cada vez mais interdependente e frágil, o futuro encerra, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para avançar, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana, e uma só comunidade na Terra, com um destino comum. Devemos conjugar forças para gerar uma sociedade global sustentável, baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça económica, e numa cultura da paz. Para alcançar este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos a nossa responsabilidade uns para os outros, para com a grande comunidade da vida, e para com as gerações futuras.
Dia Mundial da Terra
Um dos grandes desafios do movimento pela sustentabilidade é tomar o cuidado para não “reinventar a roda” a cada desafio que encontra. Muitas pessoas, organizações e empresas que estão buscando ter um comportamento mais sustentável, ou seja, ambientalmente correto, socialmente correto e economicamente justo, tem dificuldade em saber por onde começar.
A Carta da Terra é o melhor lugar para começar. É um documento que envolveu milhares de pessoas e organizações em sua redação e reflete o importante compromisso que deve haver entre as gerações.
A Carta da Terra é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século 21, de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica. Busca inspirar todos os povos a um novo sentido de interdependência global e responsabilidade compartilhada voltado para o bem-estar de toda a família humana, da grande comunidade da vida e das futuras gerações. É uma visão de esperança e um chamado à ação.
A Carta da Terra é o melhor lugar para começar. É um documento que envolveu milhares de pessoas e organizações em sua redação e reflete o importante compromisso que deve haver entre as gerações.
A Carta da Terra é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século 21, de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica. Busca inspirar todos os povos a um novo sentido de interdependência global e responsabilidade compartilhada voltado para o bem-estar de toda a família humana, da grande comunidade da vida e das futuras gerações. É uma visão de esperança e um chamado à ação.
ECO-FAB -
ECO-FAB - -uma nova cultura socioambiental militar
Um programa criado para sensibilizar todos os militares para as questões socioambientaia.
Um programa criado para sensibilizar todos os militares para as questões socioambientaia.
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