Qui, 15/Abr/2010 03:54 Reportagens
Largamente difundidos nas prateleiras dos supermercados, não se sabe ainda quais os malefícios dos alimentos geneticamente modificados
Por redação do Jornal O Girasol
Primeiro foi a soja e o algodão. Depois o milho, e agora é possível que a alimentação básica do brasileiro, o arroz e futuramente o feijão, também sejam modificados por laboratórios, transformando-se em alimentos transgênicos.
Os transgênicos são Organismos Geneticamente Modificados (OGM). Seres vivos criados em laboratório a partir de cruzamentos que jamais aconteceriam na natureza. Explico melhor: usando uma técnica que permite cortar genes de uma determinada espécie e colocá-la em outra, os cientistas criam organismos novos através da união de uma planta com uma bactéria; animal com inseto; bactéria com vírus, etc. Resumindo, sem testes que comprovam se esses alimentos são ou não prejudiciais à saúde humana, verdadeiros “monstros” estão sendo introduzidas diariamente à nossa dieta alimentar (ver Risco para Saúde).
“Como qualquer coisa inovadora, existem as dúvidas e os problemas. Cientificamente não há nada hoje que comprova que faça bem ou mal. E como geneticistas eu pergunto: foi devidamente estudado?”, questiona Waldersse Piragé, Doutor em Genética e professor de Biotecnologia nos cursos de Medicina e Engenharia de Alimentos da Universidade Federal do Tocantins (UFT). Ele diz não ter conhecimento de que no Tocantins, existam pesquisas voltadas para essa área, embora haja muitas plantações de grãos OGM, como soja e milho.
Dr. Piragé defende o uso dos transgênicos, mas com cautela e pesquisa. “Não se pode sair por aí distribuindo transgênicos aleatoriamente. Deve haver tempo para teste, análise e pesquisa prévia. As grandes corporações só pensam no lucro e o mais rápido possível”, completa.
O maior argumento pró-transgênico finca-se na aposta de que o alimento OGM contribuirá para combater a fome no mundo. O grão é modificado para resistir a agrotóxicos, possuir propriedades inseticidas, ou ambos. Distantes do que se passa dentro dos laboratórios, muitas pessoas acreditam que os OGM foram criados para ter mais nutrientes, ou ainda, para resistir às variações climáticas.
Conforme alerta o norte-americano Jeffrey Smith, jornalista e diretor executivo do Instituto Pela Tecnologia Responsável, autor dos livros Roleta Genética e Semente do Engano (o segundo ainda a ser lançado no Brasil), pesquisas realizadas nos últimos dez anos confirmam que a propaganda é enganosa. “As colheitas de transgênicos podem ser perigosas inconsistentes. Ela pode exacerbar a insegurança alimentar, aumentando o número de pessoas com fome”, disse Smith, quando esteve no país em 2009.
Para o norte-americano, os alimentos transgênicos podem ser o próximo grande problema da humanidade, depois do aquecimento global e do lixo atômico. O jornalista corre o mundo alertando o poder público sobre o risco da biotecnologia aplicada aos alimentos. “Diferentemente da poluição química, os transgênicos se auto-propagam e podem se tornar elementos fixos de nosso meio ambiente. Parece-me razoável e prudente congelar qualquer novo lançamento de transgênicos até que tenhamos uma melhor compreensão do DNA, e as ramificações de nossa intervenção”, afirmou.
Segundo o Dr. Piragé, existe mais especulação por parte das Ong’s especializadas do que pesquisas comprovadas. “É claro que existe o risco ambiental, mas isso tem que ser estudado. Sou defensor árduo dos testes e da cautela. É fundamental que haja uma legislação adequada e principalmente informação para quem vai consumir”, conclui.
Além de riscos ambientais e sociais , o maior risco da liberação e consumo de alimentos transgênicos é que não se sabe ainda, quais os problemas que estas alterações genéticas podem causar nos organismos. E provavelmente, somente as gerações futuras vão saber.
No Brasil, o debate sobre biossegurança de transgênicos parece esfriar, justamente quando a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNbio), na Câmara Federal, está preste aprovar o arroz da Bayer, modificado geneticamente.

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